quarta-feira, julho 15, 2009

A grandeza, a honra e o mérito.


Lendo um pouco de Aristóteles (360 a.C.), me deparo com um de seus aforismos que diz:

"A grandeza não consiste em receber honras, mas em merecê-las".
(Gravura que representa Aristóteles com Alexandre Grande, seu aluno)
Será? Será que é desta forma que olhamos o mundo, os outros e nós mesmos? É assim que encaramos as conquistas (pois penso que são honras a partir de alguma forma de conquista que se refere Aristóteles) do mundo, dos outros e de nós mesmos? É assim que valorizamos o mundo, os outros e nós mesmos? Considerando o mérito da conquista e não a conquista em si? Afinal, diriam alguns, honras com mérito para que?
A mim me parece que, ao menos via de regra, valorizamos mais o resultado do que o mérito em si, levados muitas vezes por opiniões vindas de fora, pela moda ou cultura vigente, pelo glamour de uma situação, especialmente quando conduzidas pelos meios de comunicação e pelos interesses econômicos. Duvida? Pare para analisar qualquer situação, qualquer conceito que tens de alguém ou de alguma coisa, e vê quais os parâmetros, quais as medidas, quais os conceitos e bases que usas para defini-lo. Pense quais são os hábitos e quais são as pessoas que a grande maioria valoriza, dá crédito e que servem como exemplos à serem seguidos ou imitados.
Diria que este aforismo colocado na prática, mexeria em muito com os nossos gostos, conceitos, valores e sentimentos que naturalmente são construídos dentro de nós. Desde o mérito que damos aos aprovados num vestibular, por exemplo, passando pela vaga de emprego conseguida, pela eleição vencida ou pela pelada de futebol conquistada. É difícil deixarmos que o mérito ou não de uma destas conquistas tire o valor e a alegria da conquista em si. É exatamente esta forma corporativista de ser e de se sentir um dos principais motivos da derrocada da raça humana. Corporativismo que muitas vezes nos apaixona por conquistas duvidosas e conquistadores sem honra. Ou não?
Se assim agimos, se assim nós e o resto do mundo pensamos em continuar agindo, devemos nos perguntar: é possível construir um mundo justo, de paz, harmonia e felicidade para a raça humana, agindo sistemáticamente de forma diversa da proposta por Aristóteles neste aforismo?

2 comentários:

Hermison disse...

Leo em primero lugar quero parabenizá-lo pelo teu blog, está bem organizado. Em segundo agradeço o link de divulgação do meu blog, ficomuito grato.

Teu texto faz uma citação bastante iteressante de Aristóteles, pois merecer a honra é uma questão que perpassa pelos tempos e sempre tem espaço nos debates intelectuais de qualquer época.
Grande abraço
do colega Hermison.

HELVIO GOMES disse...

Léo acho que o percentual de pessoas que valorizam o mérito é bem maior do que imagina, mesmo que concorde que o resultado é bem mais enaltecido porque é o que fica nas estatísticas ou na história.